A nova temporada do espetáculo “Vovô” chega a Lauro de Freitas com apresentação no Terreiro Ilê Asé Opô Oyá Sojú, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Afro-Brasileiro, no próximo domingo (17/08/2025), às 18h. A iniciativa integra o projeto “Raízes que Povoam”, que leva arte e ancestralidade a terreiros de candomblé em quatro cidades baianas, incluindo Camaçari e Santo Amaro, com sessões gratuitas.
No mesmo dia (17/08/2025), das 14h às 16h, será realizado um workshop de introdução à produção cultural, exclusivo para membros do terreiro, conduzido por Nell Araújo, fundador do IAC-BA e do Teatroescola. O workshop abordará elaboração de projetos, comunicação, gestão financeira e estratégias para fortalecimento da cultura de terreiro. Tanto o espetáculo quanto o workshop contarão com acessibilidade em Libras.
O Babalorixá Igor de Odé, líder espiritual do terreiro, destacou que a realização do espetáculo fortalece a visibilidade das narrativas afro-brasileiras, contribui para o sentimento de pertencimento da comunidade e reforça o papel dos terreiros na preservação da cultura negra. Segundo ele, a iniciativa também promove diálogo intergeracional, envolvendo jovens e anciãos na transmissão de saberes e memórias.
O espetáculo foi co-criado por Rafa Martins, que interpreta a montagem junto com Pedro Zaki. Criado em abril de 2021 durante a pandemia, inicialmente em formato virtual, o projeto ganhou adaptação presencial em 2023 sob direção de Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum. A dramaturgia aborda temas como amor, cuidado, respeito, memória e resistência e é apresentada em terreiros, ambientes que dialogam diretamente com o conteúdo da peça.
O Terreiro Ilê Asé Opô Oyá Sojú, fundado em 1984 pela Yalorixá Elza Neves – Oyá Sojú, possui 41 anos de tradição e segue a linha da nação Ketu, sob liderança do Babalorixá Igor de Odé desde 2014. Localizado no bairro Areia Branca, o terreiro foi tombado oficialmente em 2022 como Patrimônio Cultural Imaterial Afro-Brasileiro, destacando sua relevância para a preservação da cultura africana no Brasil.
Além da função religiosa, o terreiro mantém projetos sociais, como cozinha solidária e Prato Solidário, que atende aproximadamente 220 pessoas três vezes por semana, em parceria com Bahia Sem Fome e Humana Brasil, promovendo segurança alimentar e nutricional na comunidade.
O Babalorixá Igor de Odé ressaltou que os terreiros de candomblé são guardadores de saberes ancestrais, línguas, cantos, mitos e práticas culturais, atuando como espaços de acolhimento, resistência e reconstrução identitária para a população negra.
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Fonte: jornalgrandebahia.com.br
Publicado em: 2025-08-16 17:00:00 | Autor: Redação do Jornal Grande Bahia |



