Maria Betânia de Almeida completou 50 anos recentemente e celebra 30 anos de carreira na Drogaria São Paulo, em Salvador. Contratada em 1995 como repositora, passou por funções de caixa e balconista e hoje atua como gerente da unidade.
Ela atribui seu desenvolvimento profissional a iniciativas da empresa, como a universidade corporativa, e valoriza a segurança de continuar ativa no trabalho mesmo na maturidade.
O mercado de trabalho tem acompanhado essa valorização: dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) indicam que, entre 2023 e 2024, o número de empregos formais ocupados por pessoas com 50 anos ou mais cresceu 8,8%, representando quase 700 mil novas contratações — quase três vezes o crescimento registrado para profissionais mais jovens.
Segundo Maria Betânia, a maturidade traz comprometimento, experiência e capacidade de enxergar situações por diferentes ângulos, além de favorecer a convivência intergeracional. “É muito bom somar nossa experiência com as ideias novas dos mais jovens. Trocamos muitos aprendizados”, afirma.
O consultor empresarial Roberto Vilela explica que a permanência de profissionais 50+ no mercado se deve à necessidade de lideranças maduras, experientes e capazes de lidar com crises, além das mudanças nas regras de aposentadoria. Profissionais mais velhos tendem a apresentar resiliência, calma e preparo emocional para enfrentar desafios complexos.
Empresas brasileiras têm criado programas específicos para esse público. O Grupo DPSP, dono das Drogarias Pacheco e São Paulo, lançou o programa Geração Sênior, que hoje emprega mais de 1.400 trabalhadores com 50 anos ou mais. A Centauro abriu vagas para vendedores em mais de 200 lojas com o programa Sempre no Jogo, e a TIM expandiu a presença de profissionais maduros por meio do programa Inclusão Geracional, aumentando em 13% o quadro de colaboradores com 60 anos ou mais.
Érika Alves, gerente sênior de Cultura, Diversidade e Inclusão da TIM, destaca que a convivência intergeracional é um motor de inovação e aprendizado, com treinamentos e programas voltados para garantir oportunidades igualitárias, combater o etarismo e valorizar o potencial de cada colaborador.
Apesar dos avanços, o etarismo ainda persiste. O estudo global Talent Trends 2025, da Michael Page, aponta que 41% dos profissionais brasileiros já sofreram discriminação por idade, acima da média global (36%). Rennan Vilar, diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional, afirma que iniciativas como mentoria reversa, projetos intergeracionais e trilhas de desenvolvimento personalizadas são essenciais para inclusão etária e resultados organizacionais mais consistentes.
“Inclusão etária é uma questão de justiça, diversidade e também uma decisão estratégica. Quando diferentes gerações atuam juntas com respeito e colaboração, os resultados são mais consistentes, criativos e sustentáveis”, conclui Vilar.
Matéria original do portal ATARDE
Publicado em: 2025-10-19 10:14:00 | Autor: Sabrine Barreto |



