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CEBRASPO: Missão de solidariedade e investigação sobre violações de direitos é realizada na área camponesa Tiago dos Santos

CEBRASPO: Missão de solidariedade e investigação sobre violações de direitos é realizada na área camponesa Tiago dos Santos

Reproduzimos aqui, na íntegra, texto do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos de Rondônia (CEBRASPO – RO) acerca da situação na Área Tiago dos Santos.

Uma Comissão de Solidariedade e investigação dirigiu-se no último dia 06 de dezembro de 2025 à área camponesa Tiago Campin dos Santos, distrito de Nova Mutum-Paraná, Zona Rural de Porto Velho para prestar solidariedade às famílias camponesas e coletar relatos sobre a atuação das forças de repressão, visando apurar a violência praticada por policiais e por pistoleiros.

Participaram da missão a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO), Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), Comissão Pastoral da Terra (CPT), representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RO, Diretório Central dos Estudantes (DCE/UNIR), Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), Centros Acadêmicos da UNIR, jornalistas e advogados; Pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Também acompanhou a missão o Superintendente Federal do Desenvolvimento Agrário de Rondônia, Gervano Vicent.

Os integrantes da missão manifestaram sua solidariedade às famílias camponesas da área camponesa Tiago Campin do Santos, exaltaram todo o histórico de resistência dos posseiros que ano a ano enfrentam ações de criminalização e perseguição perpetradas pelo velho Estado, sobretudo diante do mais recente cerco que visa sufocar as massas em sua justa luta pela terra. Os integrantes da missão de solidariedade se colocaram em escuta para apurar, documentar e denunciar os atos violentos de diversas naturezas praticados por integrantes das forças de segurança pública de Rondônia e bandos armados de pistoleiros que aterrorizam as famílias.

Cerca de 80 camponeses estiveram presentes no barracão comunitário da Vila Alípio de Freitas, no coração da área Tiago Campin dos Santos. Após a intervenção inicial das entidades presentes, mulheres e homens passaram a relatar os momentos de terror cometidos pela Polícia Militar de Rondônia, no dia 12 de novembro de 2025 e nas semanas seguintes. Dentre as diversas denúncias relatadas, destacam-se o abuso de autoridade, os xingamentos e a humilhação impostas a crianças, mulheres e homens. Casas, posto de saúde, escola e comércios foram arrombados.

Vários camponeses informaram que foram levados seus pertences: celulares, computadores, pen drives, antenas de internet. As salas da escola foram arrombadas e ocupadas por policiais. Uma mãe disse que ao chegar cedo para deixar suas crianças foi surpreendida por policiais fortemente armados e um deles ironizou: “volte pra casa! Decretamos férias!”. As pessoas abordadas foram forçadas a assinar papéis sem saber do que se tratava, não tendo sido feita qualquer explicação, leitura, deixado cópia ou segunda via da suposta notificação que justificava a operação policial.

A polícia saqueou comércios da vila: levaram máquinas de cartão, cadernos de anotações de vendas, consumiram produtos e até subtraíram produção da roça das famílias: “Nunca passei tanta humilhação, nos chamaram de vagabundos apontando fuzis sobre as nossas cabeças”. Mesmo sob forte pressão e temendo a ação de bandos armados do latifundiário Galo Velho e policiais militares a seu serviço, diversas denúncias foram coletadas, anotadas e com riqueza de detalhes. A principal denúncia que recai sobre a PM de Rondônia é a realização de buscas pessoais (revista) sem a existência de uma “fundada suspeita” objetiva e documentada. Camponeses sem qualquer vinculação à operação foram obrigados a entregar celulares e outros pertences sem a devida ordem legal e sob a mira de fuzis. Muitos não sabem como reaver seus pertences.

Execução, tortura, omissão de socorro e violência contra menores

A operação dirigida pela PM de Rondônia, no dia 06 de dezembro de 2025, à área Tiago dos Santos, além da truculência e arbitrariedade, também fez uma vítima fatal. O camponês Elias, segundo relatos de familiares e vizinhos, foi executado em sua residência com tiros de fuzil. Elias, morador antigo da área Tiago Campin dos Santos, teve sua casa cercada por cerca de 50 policiais antes de amanhecer o dia. Ele e sua esposa foram alvejados por tiros de fuzil enquanto estavam no quarto.

Dois filhos estavam na casa no momento do ataque policial. A esposa de Elias também foi gravemente ferida e agonizou por horas até ser removida para o pronto socorro João Paulo II em Porto Velho e está entre a vida e a morte. Os dois filhos foram algemados e agredidos, incluindo o filho menor adolescente que foi espancado e torturado física e psicologicamente. As famílias camponesas também relataram que as crianças estão em estado de choque com as constantes abordagens policiais, inclusive adentrando com fuzis nos ônibus de transporte escolar.

As famílias denunciam a conivência dos órgãos estatais, que supostamente agiriam para impedir os crimes praticados pela PM, a conivência de outros que agem em conluio com o latifundiário galo velho e a omissão do INCRA de Rondônia diante do conflito agrário. Muitas famílias investiram anos de trabalho e esforço para produzirem e se fixarem na terra, prometendo resistir às investidas do latifúndio e da pistolagem que querem expulsá-los.

Os relatos detalhados coletados, estão sendo organizados em relatórios que serão encaminhados pelo conjunto de organizações e entidades presentes e serão amplamente divulgados, junto a órgãos e instâncias nacionais e internacionais. O farto material adquirido servirá de base para identificar e apurar todos os envolvidos na violação de direitos, sobretudo os agentes das forças de segurança. As entidades presentes se comprometeram a levar adiante as denúncias, acompanhar a situação de conflito e defender o legítimo direito à terra a quem nela trabalha. 

Fonte: anovademocracia.com.br

Publicado em: 2025-12-14 07:07:00 | Autor: Redação de AND |

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