O cabo da Polícia Militar (PM) da Paraíba, Luiz Miguel, matou sua esposa, Elida do Nascimento Silva, na madrugada do dia 6 de dezembro, confessou o crime e foi preso logo em seguida. O assassinato ocorreu entre os municípios de Massaranduba e Serra Redonda e faz parte de um cenário mais amplo de violência praticada por policiais.
O cabo afirmou que seu casamento com Elida havia terminado, mas que eles se encontraram na noite do dia 6 durante uma confraternização em um bar de Campina Grande, quando iniciaram uma discussão que, segundo o criminoso, foi resolvida no local. Porém, quando retornavam da festa ocorreu uma nova discussão e o policial parou o carro em que estavam na PB-095 e disparou contra a vítima, assassinando-a.
Apesar das instituições do velho Estado tratarem casos como estes como episódios isolados de violência, crimes deste tipo ocorrem com muita frequência entre os agentes da polícia, mostrando o grau de degeneração que atinge as forças de repressão. Em maio deste ano, um sargento da PM matou a ex-namorada e o patrão dela no estabelecimento em que trabalhavam. Já em novembro de 2024, na cidade de Bayeux, outro sargento da PM matou sua esposa a tiros após uma discussão e em seguida tirou a própria vida. No mês de junho do mesmo ano, o policial penal Osmany de Moraes Pereira assassinou sua ex-esposa e sua ex-cunhada em João Pessoa, também após uma briga.
Movimento Feminino Popular declara: ‘Basta já de violência contra as mulheres!’
No dia 7 de Dezembro, diante do vertiginoso aumento da violência contra a mulher, o Movimento Feminino Popular (MFP) lançou a declaração Basta já de violência contra as mulheres! Despertar a fúria revolucionária da mulher como poderosa força para a Revolução!.
Em sua declaração, o movimento relata que dados recentes de 2025 revelam que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses, com 71% ocorrendo na frente de crianças. Uma média de 4 mulheres são assassinadas por dia no País, 1.197 feminicídios haviam sido registrados nas delegacias do Brasil em um ano, até março de 2025. Calcula-se que 58% das mulheres vítimas de violência não denunciam, ou seja, os dados são subnotificados. (Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero). O Brasil tem os maiores índices de estupros em 5 anos, destes, a maioria das vítimas são meninas na faixa dos 13 anos. Só em 2025 o País registrou 187 estupros por dia.
E destacam que “Quando fatos e dados chocantes vem à tona e tornam-se debate na opinião pública são explorados exaustivamente pelos monopólios de comunicação (os grandes grupos de cadeias noticiosas), porém, estes os condenam como se fossem um desvio de conduta individual, e não como parte da ética e moral hipócrita das classes dominantes, que justificam a opressão da mulher na maioria do conteúdo do seu marco legal, a Constituição, como se fora esta a vontade do povo. Ao denunciar os inúmeros casos de feminicídio e violência contra a mulher da forma como fazem, exploram o sofrimento das pessoas de forma sensacionalista, para aumentar a audiência e obter mais e mais lucro, naturalizam o problema e tentam esconder que a base de todo esse repugnante cenário é a manutenção dessa sociedade decadente e apodrecida”
Demarcando que “A violência sexual e o feminicídio, como parte da repugnante opressão feminina, tem sua base no surgimento da propriedade privada e na sociedade de classes, com o estabelecimento da família monogâmica patriarcal.”. E concluindo que “É necessário derrubar as três montanhas de opressão que o povo brasileiro carrega nas costas, a semifeudalidade, o capitalismo burocrático e o imperialismo. Ao destruir essas três montanhas de exploração e opressão, também destruímos a quarta montanha que pesa exclusivamente sobre os ombros das mulheres do povo: a opressão feminina.”.
Publicado em: 2025-12-21 14:14:00 | Autor: Giovanna Maria |

