Filmes clássicos do cinema brasileiro compõem a Mostra de Filmes Restaurados do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que será realizada entre 25 de março e 1º de abril de 2026. As exibições acontecerão no Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves) e na Sala Walter da Silveira (Barris), em Salvador. A programação destaca obras de Cacá Diegues, Rogério Sganzerla, Leon Hirszman, Arnaldo Jabor, Roberto Pires e André Luiz Oliveira, evidenciando a diversidade do cinema brasileiro ao longo do século XX.
Entre os longas selecionados, “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), de Leon Hirszman, é destaque. Adaptado da peça de Gianfrancesco Guarnieri, o filme retrata o conflito entre pai e filho durante as greves operárias no ABC paulista, e conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza.
O curador da mostra, Adolfo Gomes, destaca a relevância da seleção: “Há um diálogo entre filmes de diferentes épocas que continua pertinente. Para entender o cinema brasileiro de hoje, é fundamental reencontrar as invenções e realidades que nos moldaram.”
Destaques de Cacá Diegues e cinema político
Outro clássico é “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, que projetou a atriz Zezé Motta e retrata a ascensão social da personagem histórica no Brasil colonial. A mostra também inclui “Quilombo” (1984), reforçando a presença de Diegues na programação.
O cinema político é reforçado com “Garota de Ipanema” (1967), de Leon Hirszman, que apresenta um retrato da juventude carioca durante a ditadura militar, ampliando a diversidade temática da mostra.
Cinema marginal e produção underground
O cinema marginal é representado por “A Mulher de Todos” (1969), de Rogério Sganzerla, protagonizado por Helena Ignez, e por obras de André Luiz Oliveira, incluindo “Meteorango Kid – Herói Intergaláctico” (1969) e “A lenda de Ubirajara”, símbolos da contracultura brasileira durante o período da ditadura.
O drama “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabor, estrelado por Sônia Braga e Paulo César Pereio, também integra a mostra e teve exibição no Festival de Cannes, evidenciando a projeção internacional do cinema brasileiro.
Cinema regional e independentes
Outros filmes restaurados incluem “Máscara da Traição” (1969), de Roberto Pires, pioneiro do cinema baiano, e “Um é Pouco, Dois é Bom” (1970), de Odilon Lopez, representando a produção independente do sul do país. A seleção evidencia diferentes períodos, estilos e regiões do Brasil, fortalecendo a preservação da memória audiovisual nacional.
O XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema conta com patrocínio do Instituto Flávia Abubakir e apoio do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura, além de apoio institucional da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Dimas (Diretoria de Audiovisual da Funceb).
A mostra oferece ao público uma oportunidade de redescobrir clássicos restaurados, refletindo sobre a evolução estética, política e social do cinema brasileiro e sua relevância histórica.

Fonte: jornalgrandebahia.com.br
Publicado em: 2026-03-06 20:40:00 | Autor: Redação do Jornal Grande Bahia |


