O Movimento Feminino Popular (MFP) realizou um ato em rechaço à violência contra a mulher no dia 7 de março no Rio de Janeiro. O ato político também contou com a presença da Liga Anti-imperialista – LAI e do movimento Mães de Manguinhos, e é parte da campanha “Basta já de violência contra a mulher!”, que tem como propósito repudiar e rechaçar toda e qualquer agressão feita contra as mulheres do povo, agitar as massas nesse sentido e celebrar o Dia Internacional da Mulher Proletária (8 de Março).
A atividade foi realizada com cartazes, faixas, microfone e panfletagem. As ativistas ergueram uma enorme faixa com os dizeres: Basta já de violência contra a mulher! Despertar a fúria revolucionária da mulher!, e também levantaram uma faixa da Liga Anti-Imperialista (LAI) contra a agressão imperialista na Venezuela, escrito: Fora ianques da américa latina! Além disso, ergueram placas com fotos e nomes da dirigente revolucionária Sandra Lima, da companheira Helenira Resende que compôs a gloriosa guerrilha do Araguaia e a menina Ágatha Félix, que foi vítima de assassinato pela Polícia Militar no Rio de Janeiro em 2019.
Através do microfone, uma ativista representando o MFP disse: “Agora no dia 8 de março estaremos celebrando o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, que sustentam suas casas, as mulheres que sustentam seus lares, que tem dupla, tripla jornada[…] a gente sabe o tanto de violência que as mulheres aturam de seus próprios companheiros dentro de casa […] e essas que estão tendo suas vidas atingidas, as suas vidas tiradas. Por isso nós [do MFP] levantamos essa campanha, para que as mulheres se organizem nesse vigoroso movimento, nesta vigorosa campanha de defesa da vida das mulheres através da legítima defesa revolucionária.”
Em sua intervenção, denunciou a situação que diariamente as mulheres passam para evitar serem vítimas de feminicídio, como por exemplo andar com armas não letais para autodefesa na bolsa ou evitar sentar ao lado de homens em transportes coletivos. “Por isso nós chamamos à essa campanha de solidariedade mas também de organização de todas as mulheres trabalhadoras nesse 8 de março, Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Perceba, não de todas as mulheres, mas das mulheres trabalhadoras do nosso povo, das mulheres que sustentam a economia desse país seja através de seu trabalho, seja através do trabalho doméstico que é invisibilizado. São as mulheres que sustentam todo esse País. […] Não é o dia das mulheres reacionárias, inimigas do povo, policiais, assassinas, que são também as que entram nas comunidades e tiram as vidas da juventude pobre e favelada, da juventude preta. A polícia assassina também é composta por mulheres, e essas não lutam ao nosso lado”.

As ativistas distribuíram também panfletos que denunciam que o brutal sistema de opressão e exploração que sustentam a misoginia e o machismo na sociedade brasileira tem como raízes o caráter arcaico, semifeudal e de capitalismo burocrático, atrasado e em decomposição no nosso País. No documento impresso e distribuído, o MFP aponta que, na sociedade brasileira, se prevalece e se reproduz uma cultura apodrecida feita de preconceitos, do racismo contra o povo preto e indígenas, da misoginia, do machismo e da permissividade da violência sobre as mulheres e todo tipo de julgamentos discriminatórios contra os pobres. O documento distribuído pode ser encontrado no site do MFP.
Em relato a correspondência local de AND, presente no ato, Fátima Pinho do movimento Mães de Manguinhos comentou a importância da campanha: “A gente está aqui hoje fazendo esse manifesto, trazer para a população acordar, não achar que isso é certo, não se calar, principalmente as mulheres, moradoras de favelas, de fora das favelas e periferias, que elas têm o direito de viver, o direito de falar e se expressar. […] E tem que mesmo falar, porque se calar está ficando muito difícil.” e conclui seu relato: “Então vamos dar mais atenção nisso, e se preocupar mais um pouco com as mulheres, que nós não somos bonecas para ser usadas e abusadas e achar que é certo o que estão fazendo.”

A mulher e a revolução
Apresentação: Neste livro a Editora Seara Vermelha traz uma coletânea de textos sobre a questão da mulher e a luta de classes em alguns processos revolucioná…
Publicado em: 2026-03-09 20:13:00 | Autor: Giovanna Maria |

