A prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, oficial da Polícia Militar, ocorrida no município de São José dos Campos, marca mais um caso de feminicídio envolvendo agentes das forças repressivas do Estado. A detenção foi realizada no dia 18 de março, após decisão do judiciário que acolheu o indiciamento pelo assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal no dia 16 de março de 2026, na capital paulista.
A ordem de prisão preventiva foi expedida diante de fortes indícios de que o crime não se tratou de suicídio, como inicialmente alegado, mas sim de feminicídio. A investigação também aponta tentativa de manipulação da cena do crime, o que levou à inclusão do crime de fraude processual. A prisão em São José dos Campos, onde o oficial foi localizado, evidencia que mesmo após a morte da companheira, ele permaneceu em liberdade até o avanço das investigações e a pressão por responsabilização.
As apurações revelaram que a relação entre Geraldo Neto e Gisele era marcada por violência psicológica, controle e humilhações constantes. Mensagens extraídas dos celulares mostram um ambiente de opressão, no qual o oficial impunha uma lógica de dominação sobre a esposa. Em uma das conversas, ao ser confrontado com a afirmação de Gisele de que se sentia praticamente solteira, ele responde de forma categórica que “isso jamais aconteceria” ,se auto declarava como um “macho alfa” e cobrava que a esposa fosse “fêmea beta obediente e submissa”, reforçando a ideia de posse sobre a mulher.
Outros trechos expõem o caráter degradante da relação. Gisele relata que era chamada de burra e constantemente diminuída. Em mensagens atribuídas ao tenente-coronel, aparecem declarações em que ele se coloca como “macho alfa” e exige que a esposa assuma uma posição de submissão,
Cinco dias antes de sua morte, Gisele já manifestava de forma clara o desejo de encerrar o casamento. Em mensagens, afirmava não suportar mais o comportamento agressivo do marido e indicava que a separação era inevitável.
A reação do oficial, conforme revelado pelas investigações, foi de recusa absoluta, reiterando que ela não se separaria, numa demonstração explícita de negação da autonomia da vítima.
O caso de Gisele, mais do que demonstrar apenas a terrível opressão e exploração impostas às mulheres, além de reforçar os dados alarmantes recentemente divulgados sobre o número de feminicídios, revela também a mentalidade fascista e repressora das polícias militares ao redor do Brasil.A Polícia Militar de São Paulo é conhecida por todo o país pela sua relação próxima com a ideologia fascista, em suas variadas formas de expressão. No mês de abril de 2025, imagens estarrecedoras revelaram policiais militares do 9° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de São José do Rio Preto, em São Paulo, fazendo uma saudação nazista enquanto uma cruz pegava fogo ao estilo Ku Kux Klan.
Pôster ‘Metade do céu’ – Cartazes pela Resistência Palestina
‘Cartazes pela Resistência Palestina’ Impressão em Papel Couche 250g Dimensões: 42cm x 29,7cm (Padrão A3) 29,7cm x 21cm (Padrão A4) 21cm x 14,8cm (Padrão A…
Publicado em: 2026-03-24 06:00:00 | Autor: Giovanna Maria |

