Discursos das lideranças indígenas destacaram a a invasão de pistoleiros contratados pelo latifúndio, a política de genocídio contra os povos originários, e o eixo central das questões mencionadas, a questão da terra.
A Esplanada dos Ministérios, palco burocracia estatal e do balcão de negócios da grande burguesia, foi tomada por uma torrente de indignação popular. Cerca de 7 mil indígenas, representando mais de 200 povos originários, realizaram no dia 7 de abril a marcha culminante do Acampamento Terra Livre (ATL). Sob a palavra de ordem “Congresso inimigo dos povos: Nosso futuro não está à venda!“, os manifestantes percorreram 6 quilômetros, do Centro Cultural Ibero-Americano até o gramado do Congresso Nacional, denunciando o papel genocida do velho Estado em conluio com o latifúndio, e a cumplicidade do governo de turno.
O momento de maior tensão ocorreu quando a marcha alcançou a sede do legislativo. Diante do bloqueio imposto pelas forças de repressão — a Polícia Militar e a Polícia Legislativa —, que cerraram o acesso à Praça dos Três Poderes, os povos do Baixo Tapajós incendiaram três grandes caveiras de plástico, carregadas durante todo o percurso como representação da política de morte do velho Estado.
O fogo, alimentado por objetos inflamáveis lançados por ativistas, ardeu como denúncia contra o roubo das terras e o extermínio orquestrado pelo latifúndio. Bombeiros tentaram intervir para apagar as chamas da indignação, mas foram impedidos pela massa que cercava o local. Em meio à ação, um jovem indígena ergueu a bandeira da Palestina, unindo a luta dos povos originários brasileiros à resistência heroica contra o nazi-sionismo e o imperialismo ianque.
A mobilização foi um grito de guerra contra o cerco genocida que o latifúndio e o velho Estado impõem aos povos do campo — indígenas, camponeses e quilombolas. Ao longo do trajeto, as falas das lideranças revelaram o abismo entre a base e os representantes do oportunismo. Enquanto setores vinculados à institucionalidade tentavam transformar o evento em palanque eleitoral, a massa indígena respondia com a palavra de ordem: “A resposta somos nós!”.
Apesar da propaganda oficial do governo oportunista, a realidade nos territórios é de guerra aberta e pilhagem. Lideranças denunciaram a invasão de missionários estrangeiros que destroem culturas milenares, a pauperização extrema nas aldeias e centros urbanos, e a atuação impune de grupos de pistoleiros, como o “Invasão Zero”.
O sentimento que permeia o ATL reflete uma disputa interna cada vez mais aguda. De um lado, o setor oportunista busca migalhas institucionais e faz concessões para as eleições, do outro, a base compreende que o caminho da conciliação é o caminho da derrota. A experiência dos últimos 23 anos, desde o primeiro ATL em 2004, ensina que qualquer conquista arrancada pode ser varrida por uma canetada do judiciário ou do governo de turno.
A luta pela terra não recua e desenvolve movimentos democrático-revolucionários, como a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que enfrentam diariamente o latifúndio, defendendo a criação de grupos de autodefesa armada. Na Bahia, a autodefesa Pataxó realizou a retomada da TI Comexatibá, enquanto no Mato Grosso do Sul, indígenas Guarani-Kaiowá resistem a tentativas de sequestro por parte de latifundiários desesperados. Trata-se da demonstração clara de que, no enfrentamento à sanha do latifúndio, serviçal ao imperialismo, e à traição da falsa esquerda e dos diferentes governos de turno, apenas a fúria organizada do povo, por meio da Revolução Agrária, pode conquistar a verdadeira libertação e garantir o futuro das próximas gerações.
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Publicado em: 2026-04-12 14:29:00 | Autor: Ana Nascimento |

