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Falta de estações de monitoramento da qualidade do ar compromete diagnóstico da poluição no Brasil

Falta de estações de monitoramento da qualidade do ar compromete diagnóstico da poluição no Brasil

Por Evelyn Ludovina

O oxigênio é um dos elementos mais importantes para a sobrevivência humana. No entanto, a poluição afeta diferentes partes do ecossistema — e o ar não escapa desse impacto. A poluição atmosférica é generalizada e representa um risco direto à saúde, especialmente ao sistema respiratório. Para reduzir esses danos, é essencial monitorar a qualidade do ar, não apenas para que governos implementem políticas públicas eficazes, mas também para que a sociedade tenha acesso a informações confiáveis e possa exigir mudanças. No entanto, de acordo com dados do Instituto Ar, o monitoramento da qualidade do ar no Brasil ainda enfrenta grandes desafios, que vão desde a limitação da rede de estações até problemas relacionados à transparência e à qualidade dos dados disponíveis. Esse cenário prejudica tanto a construção de diagnósticos detalhados da poluição quanto a tomada de decisões embasadas.

A rede de monitoramento no Brasil é insuficiente e mal distribuída. Segundo levantamento do Instituto Ar, apenas 245 estações ativas estão espalhadas por 13 estados, sendo a maioria concentrada na região Sudeste. Para seguir critérios internacionais, o Brasil precisaria de pelo menos 46 estações adicionais, de acordo com parâmetros estadunidenses, e de 138 novas estações, segundo normas europeias, para alcançar uma cobertura proporcional à população e ao território.

Grandes centros urbanos como Brasília, Manaus, Belém e Florianópolis — todos com mais de um milhão de habitantes — não possuem nenhuma estação automática de monitoramento. Essa ausência compromete a conscientização pública, dificulta a mobilização social e limita a implementação de intervenções emergenciais em momentos críticos, como durante queimadas ou episódios de poluição intensa.

No território nacional, o monitoramento da qualidade do ar é, em grande parte, responsabilidade dos órgãos estaduais de meio ambiente. Ainda assim, a medição de poluentes críticos, especialmente o material particulado fino (MP2,5), é escassa e está presente em menos de 26% das estações. Entre as principais limitações estão a falta de recursos técnicos e financeiros para manter e ampliar as redes, o alto custo das estações automáticas e a ausência de uma coordenação nacional eficaz.

Foto: Plataforma de Qualidade do Ar do IEMA (Instituto Energia e Meio Ambiente)

Quando se observa o cenário amazônico, a situação é ainda mais preocupante. Apesar de a região possuir importância global para o equilíbrio climático, o monitoramento da qualidade do ar ainda apresenta diversas deficiências. Na Amazônia, esse monitoramento é realizado, principalmente, por meio do uso de sensores de baixo custo e de imagens de satélite.

Os sensores de baixo custo são utilizados devido ao menor custo operacional, permitindo a instalação em regiões desassistidas e maior capilaridade da rede, o que gera mais dados para análise e mapeamento. No entanto, esses sensores exigem calibração frequente para garantir a precisão das medições, e os dados obtidos precisam ser validados por redes tradicionais antes de serem utilizados na formulação de políticas públicas.

Na Amazônia Legal, os principais desafios incluem dificuldades logísticas e operacionais, como o deslocamento para regiões remotas, a falta de infraestrutura básica — como energia elétrica e acesso à internet — e a escassez de técnicos capacitados para a instalação e manutenção dos equipamentos. Segundo o Air Quality Life Index, habitantes de algumas regiões da Amazônia podem perder aproximadamente três anos de expectativa de vida devido à exposição à fumaça, principalmente ao material particulado fino (MP2,5).

O Instituto Ar destaca seis medidas prioritárias para melhorar o monitoramento da qualidade do ar no país. A primeira é a produção nacional de equipamentos, garantindo manutenção, garantia e reposição locais, o que reduziria custos operacionais e facilitaria a ampliação da rede. A segunda medida é o desenvolvimento de uma plataforma centralizada para disponibilizar informações sobre a qualidade do ar de forma acessível, transparente e confiável à população.

A terceira e a quarta medidas envolvem a adoção de políticas mais rigorosas para reduzir queimadas na Amazônia e a exigência de planos consistentes de mitigação de impactos ambientais por parte de indústrias e projetos de mineração. Já a quinta e a sexta medidas incluem a validação de sensores de baixo custo, ampliando a confiabilidade dessas tecnologias, e a promoção de parcerias entre órgãos públicos, universidades, empresas privadas e organizações da sociedade civil.

Com dados confiáveis sobre a qualidade do ar, é possível orientar políticas públicas, alertar a população, reduzir riscos à saúde e, principalmente, salvar vidas.

Fonte: midianinja.org

Publicado em: 2026-04-13 21:27:00 | Autor: <span>Climax</span> |

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