https://noticiabrasil.net.br/20251002/credibilidade-do-switf-derreteu-e-aumentou-o-numero-de-transacoes-em-moedas-locais-diz-economista-43835681.html
Credibilidade do SWITF derreteu, diz ex-vice-presidente do banco do BRICS
Credibilidade do SWITF derreteu, diz ex-vice-presidente do banco do BRICS
Sputnik Brasil
Em entrevista, economista aponta que quebra da confiança no sistema ocidental levou países a buscar alternativas e abandonar o dólar, transacionando sempre que… 02.10.2025, Sputnik Brasil
2025-10-02T14:45-0300
2025-10-02T14:45-0300
2025-10-02T15:49-0300
panorama internacional
américas
rússia
economia
donald trump
kazan
brasil
índia
brics
swift
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07e9/0a/02/43851352_0:56:867:544_1920x0_80_0_0_c782177c4adf537196b4bc5176468f73.jpg
Criado para conectar instituições financeiras de diferentes países, facilitando a troca de informações e pagamentos, o sistema SWIFT foi usado durante muito tempo sem contestação.Porém, nos últimos anos, o uso do SWIFT pelos EUA e aliados europeus como instrumento político de pressão diplomática para sancionar países criou um problema de confiança no sistema, levando a discussões de alternativas, como aponta o economista Paulo Nogueira Batista Jr., em entrevista ao podcast Intriga Internacional, da Rádio Sputnik Brasil.Ele destaca que os líderes do BRICS discutiram o tema durante a cúpula em Kazan, em 2024, e no Rio de Janeiro, em 2025.”O que foi realmente endossado em Kazan pelos líderes não foi exatamente o BRICS-PAY, e sim o BRICS Cross Border Payment Initiative, BCPI. É o sistema transfronteiriço de pagamentos do BRICS, que seria justamente uma alternativa ao SWIFT, a alternativa que o BRICS criou para fazer sistemas de mensagem de liquidação transfronteiriço sem passar pelo SWIFT”, afirma Nogueira, ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o chamado banco do BRICS.Segundo o especialista, o processo de desdolarização é algo que já está em curso, e alternativas ao SWIFT são favoráveis porque o sistema ocidental perdeu credibilidade, algo que ele aponta ter sido agravado pelas “bravatas” do presidente norte-americano, Donald Trump.Ele afirma que, dentro do BRICS, Brasil, Rússia e Irã lideram a discussão da desdolarização, destacando que, no caso russo, esse posicionamento é natural por se tratar de um dos países que mais sofreram “com as iniquidades e as violências do sistema ocidental, baseado no dólar”. Já a China ele afirma ter uma posição mais cautelosa, por perceber que ainda há divisões sobre o tema no grupo.A Índia é o país que mais resiste em relação a medidas financeiras como a criação de uma moeda para transações entre os parceiros do grupo e a desdolarização. Segundo ele, essa resistência ocorre porque a Índia acreditava que mantinha uma relação especial com os EUA, crença que foi afetada pelas ações recentes de Trump, ameaçando tarifar o país caso não suspenda a compra de petróleo russo.O economista aponta que a expansão do BRICS é outro desafio para alcançar consensos no grupo, já que quanto maior o grupo se torna, mais diversos são os interesses, por vezes até opostos. Segundo ele, esse foi o principal motivo que levou o Brasil a ser um dos mais resistentes à expansão. “O número dobrou. Nós temos dez países membros plenos, entraram Indonésia, Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, são dez países membros plenos do grupo [11 com a Arábia Saudita]. Se com cinco já era difícil, imagina com dez?”Diante disso, ele defende mudanças na forma como algumas iniciativas, sobretudo monetárias e financeiras, são tomadas, flexibilizando a regra do consenso.Ele afirma que esse desafio é aprofundado pelo interesse que o grupo desperta, com cada vez mais países querendo fazer parte.”Há uma vontade muito grande de entrar no grupo BRICS. Palestina acabou de pedir entrada no grupo há poucos dias, é um país que a gente não vai poder recusar, por motivos óbvios […] Nós temos essa opção que, como o país quer entrar, mas não queremos de imediato ampliar o grupo mais, nós acolhemos como países parceiros. […] Já são dez países parceiros junto com os dez membros plenos.”
https://noticiabrasil.net.br/20240904/swift-arma-de-guerra-em-decadencia-ou-unico-sistema-de-pagamento-internacional-confiavel-36337157.html
https://noticiabrasil.net.br/20250317/moscou-ainda-nao-discute-com-os-eua-sobre-reconectar-bancos-ao-swift-diz-ministro-russo-38861820.html
kazan
brasil
índia
2025
notícias
br_BR
américas, rússia, economia, donald trump, kazan, brasil, índia, brics, swift, podcast, rádio sputnik, intriga internacional, exclusiva
américas, rússia, economia, donald trump, kazan, brasil, índia, brics, swift, podcast, rádio sputnik, intriga internacional, exclusiva
Especiais
Em entrevista, economista aponta que quebra da confiança no sistema ocidental levou países a buscar alternativas e abandonar o dólar, transacionando sempre que possível em moedas locais.
Criado para conectar instituições financeiras de diferentes países, facilitando a troca de informações e pagamentos, o sistema SWIFT foi usado durante muito tempo sem contestação.
“O que foi realmente endossado em Kazan pelos líderes não foi exatamente o BRICS-PAY, e sim o BRICS Cross Border Payment Initiative, BCPI. É o sistema transfronteiriço de pagamentos do BRICS, que seria justamente uma alternativa ao SWIFT, a alternativa que o BRICS criou para fazer sistemas de mensagem de liquidação transfronteiriço sem passar pelo SWIFT”, afirma Nogueira, ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o chamado banco do BRICS.
Segundo o especialista, o processo de desdolarização é algo que já está em curso, e alternativas ao SWIFT são favoráveis porque o sistema ocidental perdeu credibilidade, algo que ele aponta ter sido agravado pelas “bravatas” do presidente norte-americano, Donald Trump.
“Os países estão transacionando sempre que possível nas suas moedas nacionais, bypassando o dólar. Os bancos centrais, temerosos de confiscos impostos pelos EUA e pelos europeus, estão comprando ouro, estão reduzindo suas aplicações em títulos de tesouro americano.”
4 de setembro 2024, 20:38
Ele afirma que, dentro do BRICS, Brasil, Rússia e Irã lideram a discussão da desdolarização, destacando que, no caso russo, esse posicionamento é natural por se tratar de um dos países que mais sofreram “com as iniquidades e as violências do sistema ocidental, baseado no dólar”. Já a China ele afirma ter uma posição mais cautelosa, por perceber que ainda há divisões sobre o tema no grupo.
“A Índia vinha bloqueando. Agora que essa relação especial se mostrou fictícia, fantasiosa, com os ataques violentos que a Índia sofreu nas mãos do Trump, pode ser que a Índia reflua para uma posição mais próxima de um BRICS coerente”, avalia.
O economista aponta que a expansão do BRICS é outro desafio para alcançar consensos no grupo, já que quanto maior o grupo se torna, mais diversos são os interesses, por vezes até opostos. Segundo ele, esse foi o principal motivo que levou o Brasil a ser um dos mais resistentes à expansão.
“O número dobrou. Nós temos dez países membros plenos, entraram Indonésia, Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, são dez países membros plenos do grupo [11 com a Arábia Saudita]. Se com cinco já era difícil, imagina com dez?”
Diante disso, ele defende mudanças na forma como algumas iniciativas, sobretudo monetárias e financeiras, são tomadas, flexibilizando a regra do consenso.
“Trabalhar com uma coligação de países dispostos a começar. Então, digamos que todos sejam de acordo, menos a Índia. Não tem problema, a Índia não entra na primeira etapa da iniciativa, entra depois, quando mudar de ideia, se quiser mudar de ideia. Acho que esse é o caminho”, afirma.
Ele afirma que esse desafio é aprofundado pelo interesse que o grupo desperta, com cada vez mais países querendo fazer parte.
“Há uma vontade muito grande de entrar no grupo BRICS. Palestina acabou de pedir entrada no grupo há poucos dias, é um país que a gente não vai poder recusar, por motivos óbvios […] Nós temos essa opção que, como o país quer entrar, mas não queremos de imediato ampliar o grupo mais, nós acolhemos como países parceiros. […] Já são dez países parceiros junto com os dez membros plenos.”
Publicado em: 2025-10-02 14:45:00 | Autor: |



