O Comitê de Apoio do AND de Curitiba entrevistou no dia 4 de fevereiro Alceu dos Santos, 2° Vice Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, acerca da greve dos funcionários da fábrica da Brose em São José dos Pinhais, na qual foi detido Nelsão da Força.
O Sindicato reivindica direitos básicos há muito negados aos trabalhadores, como um piso salarial digno (correção INPC + 2,5% de aumento real; equiparação de vale mercado às empresas do segmento; participação nos lucros e resultados da empresa) e melhoria das condições de trabalho, incluindo a redução na jornada de trabalho.
Existia, segundo Alceu, a possibilidade de audiência com a Brose junto ao Ministério Público, mas o Sindicato não via essa audiência com otimismo, visto que o monopólio estrangeiro nunca esteve aberta ao diálogo, tentando apenas afogar a greve contratando funcionários temporários e convocando a PM para repressão. Afirma ainda que as reuniões e debates movidos diariamente entre os trabalhadores demonstra que estes se recusam a serem subjugados pela ganância da Brose e estão dispostos a continuar a greve.
Neste contexto, a greve já durava uma semana quando, no mesmo dia 4, a PM-PR, agindo como segurança particular da Brose, reprimiu violentamente uma manifestação dos trabalhadores, espancando-os e usando spray de pimenta. A PM então deteu arbitrariamente Nelsão, derrubando-o com força no chão, e até o momento não prestou justificativa. Trabalhadores informaram que a aliança da PM à Brose chega ao ponto de que os policiais estavam realizando refeições dentro do refeitório da empresa desde o início da greve, usando sua presença inclusive para coagir os funcionários dentro da empresa a continuarem trabalhando.

“[…] A Polícia hoje tá servindo de segurança da Brose, eles não são do Estado, da nação, [são] policiais da Brose. Na verdade, nós estávamos aqui pacificamente. A função nossa é convencer o trabalhador a não entrar, a permanecer em greve. Os trabalhadores estavam convencidos e estavam em greve. Aí vieram alguns seguranças com oficiais da PM e começaram, assim, a gratuitamente espalhar gás de pimenta para todo mundo e não queriam nem que nós conversássemos com as pessoas, e isso é um direito nosso. O jeito que nós temos é parar o trabalhador, conversar e convencer ele a ficar em greve. […]Houve também a prisão do vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Nelsão da Força. Foi levado à delegacia de polícia. Na ação, foi derrubado por quatro policiais ou mais e levou um mata-leão…” declara Alceu.
Em um vídeo, é possível ver a dor e a revolta de uma trabalhadora que foi atingida por spray de pimenta no rosto por um PM. A trabalhadora, sentada, sendo auxiliada por seus companheiros de luta, promete denunciar os policiais e expressa sua indignação com a brutalidade da ação conjunta da Brose em conluio com o velho-Estado e a PM.
Em rechaço à repressão do movimento grevista, o sindicato afirmou em nota: “A empresa prefere dificultar apelando para práticas antissindicais e utilização inexplicável da polícia na tentativa de enfraquecer a mobilização dos trabalhadores, criminalizar a luta coletiva e impor, pelo medo, condições indignas de trabalho e remuneração.”. E destaca: “Reafirmamos que não há crime em lutar por direitos”.
Pôster Marchando com Stalin
Coleção União Soviética – URSS Impressão em Papel Couche 250g Dimensões: 42cm x 29,7cm (Padrão A3) 29,7cm x 21cm (Padrão A4) 21cm x 14,8cm (Padrão A5) Foto i…
Publicado em: 2026-02-06 20:30:00 | Autor: Redação de AND |

