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Cultura

Primeira noite do Capão in Blues 2025 reúne público no Vale do Capão e reafirma força cultural da Chapada Diamantina

Primeira noite do Capão in Blues 2025 reúne público no Vale do Capão e reafirma força cultural da Chapada Diamantina

A abertura do Capão in Blues 2025 ocorrida nesta quinta-feira (20/11/2025) movimentou o Vale do Capão e consolidou o festival internacional como um dos principais eventos culturais da Chapada Diamantina. Sob baixas temperaturas, chuva intermitente e uma praça completamente tomada, moradores e visitantes celebraram uma noite marcada por apresentações emocionantes, referências à ancestralidade afrodescendente e uma curadoria musical que reforça a identidade do território.

A noite de abertura coincidiu com o feriado da Consciência Negra, ampliando o simbolismo do evento e fortalecendo os diálogos entre música, memória e pertencimento. Desde o primeiro acorde, o Capão in Blues mostrou que já ultrapassa o formato tradicional de festival. Tornou-se uma experiência coletiva, uma vivência comunitária que mistura território, cultura e espiritualidade.

A força da abertura com Calu Manhães e Candombá Blues Dab

A multiartista chapadense Calu Manhães, acompanhada do Candombá Blues Dab (CBD), inaugurou o palco do festival trazendo uma fusão entre raízes brasileiras e blues contemporâneo. A apresentação mobilizou o público, que respondeu com canto, dança e registros constantes. A entrega da artista reforçou a centralidade da Chapada Diamantina na construção de um blues com sotaque local e identidade própria.

Calu destacou a imersão no repertório do blues e a ligação com o dia da Consciência Negra, ressaltando que mergulhar nesse universo e trazer referências históricas ao palco representou uma forma de homenagem à ancestralidade e ao território.

Alma Thomas e Uptown Band elevam a energia da praça

A segunda atração da noite, a norte-americana Alma Thomas, acompanhada da pernambucana Uptown Band, trouxe ao Capão um blues de forte impacto cênico, técnica refinada e sensibilidade interpretativa. A conexão entre palco e plateia manteve o clima aquecido, mesmo sob a chuva fina que caía sobre a vila.

A vocalista Adriana Papalelo celebrou a estreia no festival, enquanto o baterista e produtor Giovanni Papaleo ressaltou o acolhimento do Vale e o desejo de retorno. A performance reforçou a proposta do Capão in Blues de unir diferentes regiões, sotaques e tradições musicais.

Rosa Marya Colin encerra a noite com performance histórica

O encerramento ficou a cargo da lendária Rosa Marya Colin, que, prestes a completar 80 anos, entregou um espetáculo vigoroso ao lado do gaitista Jefferson Gonçalves. A apresentação, marcada por intensidade emocional, técnica impecável e potência vocal, entrou para a memória afetiva do público presente.

Jefferson celebrou a energia do festival e o retorno ao Capão, destacando a qualidade da curadoria. Rosa Marya Colin revisitou a história do blues, enfatizando sua origem popular e a ligação com experiências de dor, resistência e criação cultural. Sua fala sobre a chuva, recebida como bênção, simbolizou o espírito da noite: natureza, música e comunidade reunidas.

Consolidação do festival na agenda cultural da Chapada Diamantina

O primeiro dia do Capão in Blues 2025 confirmou a vocação do festival para unir diversidade, ancestralidade e intercâmbio internacional. A energia da vila, a recepção calorosa e a integração entre artistas e público indicam que o evento caminha para se tornar um marco anual do calendário cultural da região.

O papel do Capão in Blues na dinâmica cultural do território

O festival se firma como um instrumento de valorização da Chapada Diamantina, conectando seu patrimônio natural a uma programação artística de alta qualidade. Ao promover diálogos entre artistas locais, nacionais e internacionais, fortalece a economia criativa e amplia a circulação de públicos diversos. A escolha de abrir o evento no feriado da Consciência Negra também reforça a importância do blues como manifestação cultural afro-diaspórica, aproximando o público de sua dimensão histórica. A continuidade e expansão do festival dependerão da manutenção desse equilíbrio entre identidade local, profissionalização e responsabilidade com o território.


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Fonte: jornalgrandebahia.com.br

Publicado em: 2025-11-21 17:22:00 | Autor: Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia |

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