No dia 14 de março, a correspondência local de AND fez visita à sede do Projeto Ocupar, coletivo popular-democrático que organiza politicamente as mulheres que vivem nas ocupações urbanas de Passo Fundo, compreendendo mulheres das ocupações Valinhos I e II, Beira Trilho, Bela Vista, Vista Alegre, Leão XVIII e Pinheiro Toledo. Edivânia é uma das dirigentes do coletivo, e esteve presente no Ato Político Mulheres Vivas do dia 7 de março. A dirigente recebeu a correspondência no espaço e relatou da fundação do coletivo, do contexto social das ocupações e as mulheres que nelas vivem, desafios e conquistas da luta.
Fundação e contexto político
Edivânia relatou aos ativistas sua experiência na luta pela moradia, estando na coordenação do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) e sendo parte da Comissão de Direitos Humanos, através desses órgãos teve contato com as ocupações passo-fundenses.
Conforme explicou Edivânia, as ocupações só se comunicavam no momento onde havia ordens de despejo em curso, relatando a dificuldade dos moradores de compareceram a reuniões para relatarem as dificuldades vividas. Por conta disso, passou a visitar e conhecer as ocupações por dentro, constatando a inexistência aos direitos democráticos mais básicos como infraestrutura elétrica, saneamento básico, dentre outros.
Ao conhecer as ocupações, percebeu as grandes dificuldades específicas que afligiam as mulheres, além da inexistência de direitos democráticos. As moradoras arcam com o trabalho doméstico, educação dos filhos e enfrentam a violência doméstica e o crime organizado aliciando a juventude. Essas moradoras reconhecendo a experiência de Edivânia passaram a procurá-la, constituindo um grupo de apoio e escuta, fortalecendo-se em organização e resistência, como afirmou durante a entrevista “Como potencializar essas potências invisíveis? Tirar essa invisibilidade, não como os outros nos enxergam, mas como nós mesmas nos vemos”. Com a regularidade dos encontros, nasceu o coletivo, desde 2019.
Conquistas do coletivo
Mesmo com pouco tempo de atuação, o coletivo conseguiu organizar a comunidade em diferentes atividades. Dentre eles, Edivânia comentou do Grupo Costurando Sonhos, direcionando as moradoras à formação profissional, produzindo bonecas, cobertas e artesanato a escolas e famílias das ocupações.
O coletivo produziu importantes materiais sobre sua trajetória, registrada em um livro escrito em conjunto com estagiários da Atitus Educação e da Universidade Federal da Fronteira Sul, contendo uma carta cartográfica de todo território, também produziu-se um documentário sobre a ocupação intitulado “Ocupar: Mulheres, terra e luta”, disponível no Youtube.
O coletivo lançou o Projeto Escuta Territorial, garantindo o direito ao acolhimento e cuidado com a saúde mental da comunidade de 8 em 8 dias, direito suspenso às comunidades das ocupações.
Rumos da luta
O coletivo segue em luta por arrancar da prefeitura com Pedro Almeida (PSD) o direito ao saneamento básico, a redes elétricas e manutenção das ruas dentro do território. Edivânia relatou à correspondência uma situação em que um caminhão se dirigiu para dentro da ocupação onde fica a sede do coletivo, e tentou despejar lixo num espaço de preservação ambiental no local, situação em que onde o motorista foi confrontado até se retirar. Segundo denuncia a dirigente, a prefeitura culpa a própria comunidade pelo lixo e se isenta da responsabilidade dos despejos irregulares de lixo e entulho por parte de empresas na área.
Citações do Presidente Mao Tsetung
2º Edição O Livro Vermelho do Presidente Mao Tsetung é uma compilação de citações extraídas de discursos e obras do Presidente Mao Tsetung, chefe do Parti…
Publicado em: 2026-04-01 16:30:00 | Autor: Giovanna Maria |

